Governadores gerais, holandeses e franceses começaram a importunar-me. Esquartejavam-se períodos
Governadores gerais, holandeses e franceses começaram a importunar-me. Esquartejavam-se períodos, subdividiam-se e rotulavam-se as peças em medonha algazarra. Os meus novos amigos guardavam maquinalmente façanhas portuguesas, francesas e holandesas, regras de síntese – e brilhavam nas sabatinas. Segunda-feira estavam esquecidos, e no fim da semana precisavam repetir o exercício, decorar provisoriamente a matéria. À medida que avançavam, a tarefa ia se tornando mais penosa: ficavam apenas, algum tempo, as últimas liçôes. Eu achava estupidez pretenderem obrigar-me a papaguear de oitiva. Desonestidade falar de semelhante maneira, fingindo sabedoria. Ainda que tivesse de cor um texto incompreensível, calava-me diante do professor – e a minha reputação era lastimosa. (Ramos, Graciliano. Infância. In: Circe M. F. Bittencourt. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004, p. 93) As lembranças do aluno sobre sua história escolar indicam que, na época, predominava um método de ensino em que