O lenhador e a MorteUm velho lenhador, cansado pelos anos e do fardo que carregava, regressando ao
O lenhador e a Morte
Um velho lenhador, cansado pelos anos e do fardo que carregava, regressando ao lar caminhava tropegamente, queixando-se da sorte que nunca o favorecera. Exausto, sob o peso que lhe magoava as costas, deitou o fardo ao chão e sentou-se ao lado, passando a analisar o longo percurso dos anos vividos. Que felicidades tivera neste mundo? Existia por ventura alguém mais indigente do que ele? Escasso era o pão e nem sempre o tinha; descanso algum jamais desfrutara; além disso, impostos, constrição, mulher e filhos para sustentar, os credores e mil outras atribulaçôes além do trabalho insano. Esse era o quadro desolador de sua pobre existência; e não via diante de si a réstea luminosa da esperança. Amargurado, abatido ante a própria impotência, num assomo de desespero chamou pela morte para que o livrasse de tão cruel angústia. Sem demora a Morte se lhe apresenta e pergunta: - Aqui estou; que me queres tu? O lenhador pensou e disse: - Apenas um pequeno esforço: pôe-me este feixe no dorso.